Dois barcos foram confiscados pelo Irã no Estreito de Ormuz, enquanto aumenta o controle do país sobre essa importante via marítima, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a suspensão dos ataques por tempo indeterminado, sem indícios de que as conversações para a paz seriam retomadas.
A situação do cessar-fogo, que deveria ter terminado no começo desta semana, continuava indefinida. Em uma virada repentina, poucas horas depois de manifestar ameaças de nova violência, Trump fez o que parecia ser um comunicado unilateral na terça-feira (21), proclamando que os EUA prolongariam a trégua até que uma proposta iraniana fosse debatida nas negociações de paz para por fim à guerra que se arrasta por dois meses.
Representantes do Irã não mencionaram qualquer concordância com a extensão da trégua e reprovaram a decisão de Trump de manter o bloqueio da Marinha dos EUA ao comércio marítimo iraniano, que é visto pelo próprio Irã como uma declaração de guerra. O presidente do Parlamento iraniano e principal representante nas negociações, Mohammad Baqer Qalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só teria validade se o bloqueio fosse suspenso.
A reabertura do Estreito de Ormuz, responsável por um quinto do comércio global de petróleo antes do conflito, tornava-se inviável ante essa “flagrante violação da trégua”, declarou Qalibaf em uma rede social.
“Vocês não atingiram suas metas por meio de agressão militar e não conseguirão por meio de intimidação”, escreveu ele em sua resposta inicial ao anúncio de Trump. “A única solução é reconhecer os direitos do povo iraniano.”
Em mais um abalo dentro do Pentágono em tempos de guerra, o secretário da Marinha, John Phelan, foi dispensado, conforme informaram na quarta-feira (22) uma fonte oficial dos EUA e uma pessoa próxima ao caso. Essa ação ocorreu poucas semanas após o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter demitido o comandante-chefe do Exército.
O Pentágono anunciou que Phelan estava deixando seu posto “com efeito imediato”, mas não explicou o motivo ou se a decisão foi sua.
Trump recuou mais uma vez de suas frequentes ameaças de bombardear as usinas de energia e outras infraestruturas civis do Irã, o que, segundo a ONU e outros organismos, violaria o direito internacional humanitário. Contudo, pouco progresso foi alcançado para encerrar a guerra iniciada com os ataques conjuntos dos EUA e Israel ao Irã em 28 de fevereiro.
Isso mantém ambas as partes em um impasse, com o Estreito de Ormuz ainda efetivamente bloqueado, afetando economias globalmente. Milhares de vidas foram ceifadas no Oriente Médio, principalmente no Irã e no Líbano, onde o grupo militante Hezbollah, aliado do Irã, se uniu à batalha contra Israel.
A Guarda Revolucionária Islâmica confiscou dois navios, trazendo-os para a costa iraniana, segundo relatos de empresas de navegação e da agência de notícias semioficial Tasnim, do Irã.
A Guarda Revolucionária acusou os barcos apreendidos, o Epaminondas, com bandeira liberiana, e o MSC Francesca, com bandeira panamenha, de operar sem as devidas autorizações e de manipularem seus sistemas de navegação.
Um terceiro navio de contêineres, também com bandeira liberiana, foi alvo de disparos na mesma região, mas não teve danos e voltou a navegar, de acordo com informações oriundas de fontes de segurança marítima.
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Fonte: Agência Brasil
