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Painel de cientistas orienta na transição energética mundial

Gabriel Aires
Atualizado em: 25 de abril de 2026 8:27 pm
Gabriel Aires
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Um coletivo de especialistas de várias disciplinas – incluindo climatologia, economia e tecnologia – divulgou a formação do Painel Científico para a Transição Energética Global (SPGET) neste sábado (25), durante a Primeira Conferência Internacional sobre a Transição para a Saída dos Combustíveis Fósseis, realizada em Santa Marta, Colômbia.

O propósito é auxiliar os governos na transição energética mundial e elaborar recomendações fundamentadas em evidências para dirigir políticas públicas e medidas concretas em direção à descarbonização.

A divulgação contou com a participação de personalidades renomadas da ciência global, como os brasileiros Carlos Nobre, especialista em pesquisas sobre a Amazônia, e Gilberto Jannuzzi, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além do sueco Johan Rockström, chefe do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático.

“A transição energética é uma tarefa complexa que abrange aspectos econômicos, ambientais e de justiça social. O papel da ciência é servir como um elo entre nações que progridem rapidamente e aquelas que ainda se mostram relutantes. O painel visa integrar todos de forma gradual”, afirmou Rockström.

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Irene Vélez Torres, também esteve presente, defendendo a iniciativa por preencher uma lacuna histórica.

“Este painel não apenas corrige uma dívida ao estabelecer, pela primeira vez, uma entidade dedicada à superação dos combustíveis fósseis, mas também aborda outros desafios sociais e econômicos relacionados a essa transformação”, disse Irene.

“É o primeiro projetado para reunir, nos próximos cinco anos, as evidências científicas que possibilitarão que cidades, regiões, países e alianças realizem esse grande avanço”, completou.

O painel almeja fortalecer a interação entre a academia e os governos, além de contribuir para o desenvolvimento de estratégias coordenadas de redução das emissões de gases de efeito estufa. A proposta envolve a criação de recomendações técnicas, acompanhamento de políticas e a integração com processos internacionais, como a COP30, que será presidida pelo Brasil.

De acordo com o coordenador do Observatório do Clima, Claudio Angelo, a intenção é que a ciência retorne à posição de destaque como guia para as decisões políticas necessárias relacionadas ao clima e ao meio ambiente.

“Isso parece evidente, mas tem sido um pouco esquecido no contexto da Convenção do Clima. No passado, todos os grandes encontros sobre mudanças climáticas, como a Eco-92, começaram sob a liderança de algum relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática”, explicou Claudio.

“Isso deixou de ocorrer nos últimos anos. Chegamos ao ponto de, em 2018, na COP24, um importante relatório do IPCC, que havia sido encomendado pela Convenção do Clima, ter sido relegado a uma nota de rodapé na decisão da COP”, completou.

Conferência de Santa Marta

A Conferência de Santa Marta reúne 57 países, incluindo o Brasil, e cerca de 4.200 organizações, abrangendo governos, setor privado, povos indígenas, academia e sociedade civil. O foco é avançar em ações concretas para diminuir a dependência de combustíveis fósseis, enfatizando três eixos: transformação econômica, alteração na oferta e demanda de energia e cooperação internacional.

Nos primeiros dias do evento, entre 24 e 27 de abril, serão consolidadas propostas que orientarão a Cúpula de Líderes nos dias 28 e 29. Dentre os resultados esperados estão mecanismos de cooperação entre nações e um relatório com diretrizes para acelerar a transição energética.

“Com mais de 50% do PIB global representado nesta Conferência, este grupo possui a capacidade coletiva de converter essas cinco palavras em ações concretas”, declarou Van Veldhoven, ministra do Clima e do Crescimento Verde dos Países Baixos, que lidera a iniciativa em conjunto com a Colômbia.

“Com a crescente instabilidade no mercado de combustíveis fósseis, este é o momento ideal para impulsionar a transição fora dos combustíveis fósseis, minimizando o impacto climático, promovendo a independência energética e estimulando o crescimento econômico sustentável”, acrescentou.

O ativista socioambiental sul-africano Kumi Naidoo acredita que a conferência representa uma oportunidade de implementar medidas concretas que a Conferência das Partes (COP), o encontro anual da ONU sobre mudanças climáticas, não tem conseguido realizar.

“Desejamos receber aquilo que reivindicamos para a COP desde, pelo menos, 2009: um acordo excepcional, que seja juste, ambicioso e obrigatório. Na maioria das vezes, recebemos acordos superficiais, repletos de brechas”, afirmou Naidoo, que lidera a Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis (Fossil Fuel Treaty).

“Independentemente da qualidade do trabalho científico, é essencial garantir que o processo político esteja fluindo. Outros mecanismos e vias juridicamente vinculativas, como o tratado sobre combustíveis fósseis, são fundamentais”, completou.

Fonte: Agência Brasil

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TAGS:CiênciaColômbiaCOPdescarbonizaçãopolíticas públicastransição energética
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