Total de perdas florestais no Brasil –
Foto: Arte/EBC
Os estados que mais registraram diminuição de perdas incluem Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Acre e Roraima, que juntos correspondem a mais de 40% da queda. O Maranhão foi o único estado a apresentar aumento nas perdas de cobertura florestal.
Os dados, disponibilizados anualmente pelo Laboratório de Análise e Descoberta de Terras Globais (Glad), da Universidade de Maryland, referem-se à vegetação primária, isto é, áreas naturais maduras com flora nativa.
Segundo os pesquisadores do WRI, o modelo usado não engloba apenas o desmatamento, ao contrário do sistema de monitoramento oficial do Brasil, que é o Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O sistema do Global Forest Watch também considera outras perturbações, como o corte seletivo e a morte natural de árvores.
Alinhamento
Elizabeth Goldman acredita que, mesmo com metodologias distintas, a redução destacada na pesquisa está em sintonia com a queda no desmatamento dos principais biomas, como identificado pelo Prodes para o intervalo entre 1º de agosto de 2024 e 31 de julho de 2025.
“Além das florestas tropicais primárias, ao considerar toda a perda arbórea, a maioria dos biomas apresentou uma diminuição, incluindo a Caatinga, uma área de florestas secas no Nordeste do Brasil”, enfatiza a pesquisadora.
Para a diretora executiva da WRI Brasil, Mirela Sandrini, os resultados obtidos pelo Brasil foram possíveis devido a uma força-tarefa coordenada pelo governo, contando com a colaboração da sociedade civil, do meio acadêmico, de comunidades locais e do setor privado.
Iniciativas como a intensificação da produção em áreas já desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, em inglês), ações de compensação por serviços ambientais e incentivos fiscais para quem preserva estão em consonância com as expectativas globais para a próxima década, de acordo com Mirela.
“Tendo em vista que o Brasil é central nas soluções de grande escala para alimentos, energia e segurança climática, essa questão é de suma importância”, ressalta.
Dados globais
Para os estudiosos, o resultado observado no Brasil teve um efeito positivo nos dados globais, que indicam uma perda de 4,3 milhões de hectares de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas ao redor do planeta, no ano de 2025.
Esse total representa uma redução de 35% em relação a 2024, quando o declínio da vegetação atingiu o recorde de 6,7 milhões de hectares perdidos.
As perdas de cobertura verde não relacionadas a incêndios atingiram os níveis mais baixos nos últimos dez anos, apresentando uma queda de 23% em comparação a 2024. Em contrapartida, a perda associada a incêndios continua entre as mais elevadas da série histórica, figurando como a terceira maior desde 2001.
Conforme Elizabeth Goldman, os dados em relação aos incêndios de 2025 ainda serão revisados, pois podem estar relacionados a registros tardios de 2024. “A fumaça dos incêndios ativos pode obstruir os sensores dos satélites, retardando a detecção desses eventos”, esclarece.
Participação
A perda de cobertura arbórea no Brasil respondeu por mais de 37% do total global no ano, sendo o país que mais perdeu em área, seguido pela Bolívia, que registrou perdas de 620 mil hectares, e pela República Democrática do Congo, com quase 600 mil hectares. Quando a análise é proporcional à extensão da floresta, Bolívia e Madagascar tiveram as maiores perdas.
“A expansão da agricultura foi a principal causa da perda de cobertura florestal nos trópicos, devido à produção de commodities e mudanças nas culturas para suprir as demandas dos mercados locais”, complementa a co-diretora do WRI.
Incêndios
Em escala global, os incêndios foram os principais responsáveis pela perda de cobertura florestal em 2025. Nos últimos três anos, a devastação causada por incêndios foi o dobro da observada há duas décadas.
Elizabeth Goldman considera a diminuição das perdas florestais nos trópicos em 2025 como um aspecto positivo. Contudo, para ela, esse resultado é insuficiente para que se mantenha o compromisso assumido por 140 países de mitigar e reverter a perda florestal até 2030. Segundo a gestora, os dados atuais ainda colocam o mundo 70% acima do que é necessário.
“Alcançar essa meta nos anos vindouros não será uma tarefa simples, pois as florestas estão cada vez mais expostas às mudanças climáticas, e a população mundial continua crescendo, intensificando sua demanda por combustíveis e alimentos”, finaliza Elizabeth Goldman.
Fonte: Agência Brasil