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Tartarugas-cabeçudas são avistadas na Baía de Guanabara

Gabriel Aires
Atualizado em: 25 de abril de 2026 2:43 pm
Gabriel Aires
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A reemergência das tartarugas-cabeçudas na Baía de Guanabara, localizada no Rio de Janeiro, tem atraído a atenção de cientistas e pescadores locais e pode fornecer novos dados sobre o comportamento da espécie em risco de extinção. (foto: biólogas Larissa Araujo e Suzana Guimarães com tartarugas-cabeçudas)

Desde 2024, o Projeto Aruanã vem registrando com mais frequência a presença desses animais nas águas internas da baía: uma iniciativa focada na preservação das tartarugas marinhas no litoral do estado do Rio de Janeiro.

No dia 18 de abril, em colaboração com pesquisadores, pescadores realizaram a marcação de dois indivíduos da espécie que adentraram e ficaram em currais de pesca na parte interna da baía. Os especialistas afirmam que este é um acontecimento inédito do aspecto científico, abrindo novas possibilidades de investigação.

A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) prefere habitats oceânicos e se alimenta primariamente de crustáceos, incluindo camarões e lagostas. A observação mais recorrente em águas internas da Baía de Guanabara ainda está sendo analisada.

A bióloga Larissa Araujo, que faz parte do Projeto Aruanã, esclarece que relatos de épocas passadas mostravam aparições esporádicas, mas sem um registro sistemático. “Até agora, carecemos de dados anteriores sobre a presença da espécie dentro da baía, somente relatos isolados feitos por pescadores, que indicavam que sua ocorrência era mais rara. Desde julho de 2025, esses registros começaram a aumentar, e também passaram a ocorrer entradas nos currais de pesca,” comentou.

Ela declarou que a hipótese principal sugere que os animais estão encontrando condições favoráveis para a alimentação.

“Essa espécie geralmente apresenta comportamentos mais em ambientes oceânicos do que em áreas costeiras ou estuarinas, mas pode estar achando na Baía de Guanabara uma abundante disponibilidade de alimentos,” afirmou.

Para compreender esse fenômeno, o Projeto Aruanã está organizando uma nova fase de monitoramento com o uso de transmissores via satélite. O intuito é identificar rotas, duração da permanência e áreas preferidas dentro da baía.

Larissa ressalta que, apesar de a região oferecer alimento, também existem riscos significativos para a sobrevivência dos animais. “Diversas atividades de origem humana estão acontecendo na Baía de Guanabara. Podem ser mencionados o contato constante com águas poluídas, colisões com embarcações, ingestão de resíduos sólidos e captura acidental nas artes de pesca,” alertou.


Guapimirim (RJ), 16/10/2024 - Aves marinhas no na Baía de Guanabara com manguezal e a montanha do Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, ao fundo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Guapimirim (RJ), 16/10/2024 - Aves marinhas no na Baía de Guanabara com manguezal e a montanha do Dedo de Deus, na Serra dos Órgãos, ao fundo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Guapimirim (RJ), 16/10/2024 – Imagem do manguezal na Baía de Guanabara. Foto-arquivo: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

A coordenação geral do projeto, representada pela bióloga Suzana Guimarães, afirma que ainda não é viável estabelecer uma conexão direta entre o reaparecimento das tartarugas e uma melhoria nas condições ambientais da baía.

“Não conseguimos confirmar se existe uma relação direta entre a melhora na qualidade ambiental da Baía de Guanabara e a presença de tartarugas marinhas, uma vez que as ações efetivas para despoluição e monitoramento dessas espécies ainda são limitadas,” esclareceu.

Apesar disso, ela observa que os registros demonstram a capacidade de recuperação ambiental da área.

“Essas observações são significativas para evidenciar que a Baía de Guanabara, apesar da alta poluição ainda presente, é resiliente e continua a abrigar uma vasta biodiversidade,” destacou.

O monitoramento atual depende também da colaboração de pescadores e residentes, que relatam avistamentos ao projeto através de redes sociais e canais de comunicação. Além disso, quando os animais ficam presos em currais de pesca, equipes especializadas realizam a marcação, coleta de dados biométricos e avaliação de saúde antes da soltura.

“O entendimento sobre a presença frequente dessa espécie na Baía de Guanabara é recente para nós, pesquisadores, e é graças à colaboração com os pescadores artesanais que agora temos acesso a essa informação valiosa,” comentou Suzana.

Caso Jorge

O assunto ganhou notoriedade em 2025 com a história de Jorge, uma tartaruga-cabeçuda macho que passou cerca de 40 anos em cativeiro na Argentina e foi reintegrada ao oceano após um processo de reabilitação. Monitorado por satélite, o animal surpreendeu os pesquisadores ao adentrar na Baía de Guanabara poucos meses após sua soltura.

“Os pescadores ainda falam que continuam tentando localizar o Jorge. Tudo isso gera um senso de conservação nas pessoas, além de estimular o interesse em questões ambientais,” comentou Suzana.

Fonte: Agência Brasil

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TAGS:Baía de GuanabaraProjeto AruanãTartaruga-Cabeçuda
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