De maneira análoga ao que se observa entre os bairros, pequenas cidades enfrentam desafios distintos em comparação com a capital do estado. O Encontro Estadual de Paradas do Orgulho LGBTI+, que ocorrerá neste sábado (25), no centro do Rio, visa fortalecer a troca de experiências entre lideranças de diversas regiões.
“É essencial que as cidades maiores também ofereçam apoio político, institucional e cultural às localidades que enfrentam mais dificuldades”, comenta Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, que organiza a Parada de Copacabana.
“O que funcionou para uma cidade pode servir como exemplo para outra. Nos reunimos para discutir quais são as principais questões da comunidade. Juntos, amplificamos nossas vozes e proporcionamos mais visibilidade às nossas lutas”, acrescenta.
Demandas do interior
Assim, o que está em jogo não se limita apenas à infraestrutura e ao planejamento. Promover uma Parada implica também em confrontar uma reação conservadora que busca restringir direitos e reivindicações da população LGBTI+.
O presidente do coletivo Arraial Free, Rafael Martins, que coordena a manifestação em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, relata que os últimos 14 anos foram de persistente luta para levar o movimento às ruas.
“A cidade ainda tem muitos indivíduos preconceituosos, entende? Mas estamos resistindo e demonstrando para nossa comunidade, que é bastante conservadora, que nós existimos, estamos aqui e que demandamos políticas públicas para a população LGBTI+”, afirma Rafael.
Ele detalha como as experiências do município podem enriquecer o debate coletivo.
“Antes mesmo da Parada, nos mobilizamos com os comerciantes para solicitar apoio e patrocínio. Temos parceiros na hotelaria e em mercados. Às vezes, basta um engradado de água, mas isso já ajuda bastante. O que eu sempre tento transmitir é que não precisamos nos fixar apenas na Prefeitura para obter apoio institucional. Também podemos unir forças com quem está ao nosso lado e avançar juntos”, revela Rafael.
Espaço coletivo
Mais de 35 municípios estão presentes no evento, que não ocorria há dez anos. A organização é do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, com o apoio do Programa Estadual Rio Sem LGBTIfobia, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, do Teatro Carlos Gomes e da Secretaria Municipal de Cultura.
Durante o dia, as rodas de discussão abordam temas como: a estrutura institucional e viabilidade dos eventos; a organização prática das Paradas; engajamento social e voluntariado; patrocínios e apoios; promoção de direitos e sustentabilidade ambiental e agendas socioculturais.
Está também prevista a construção coletiva do calendário estadual das Paradas, a fim de fortalecer as estratégias de cooperação entre diferentes regiões e aumentar a visibilidade das mobilizações.
As Paradas de Arraial do Cabo e de Copacabana, por exemplo, já têm suas datas definidas: ocorrerão nos dias 13 de setembro e 22 de novembro, respectivamente. A de Madureira ainda não tem data marcada, mas a expectativa é que aconteça em novembro também.
A plenária final do encontro pretende elaborar 25 recomendações para reforçar os movimentos, definir prioridades de atuação política e propostas para um próximo encontro entre as regiões.
“Fico muito contente ao ver esse movimento crescendo em todo o país. Atualmente, são mais de 500 cidades brasileiras com Paradas. Se observarmos em termos proporcionais, o Rio de Janeiro é o estado com o maior número, considerando que temos 92 municípios e mobilizações em 38 deles”, afirma Cláudio Nascimento.
“Estamos vivendo um momento muito desafiador, com diversas tentativas de cercear a liberdade de expressão e os movimentos sociais LGBT+ nas cidades. Seguimos trabalhando para fortalecer nossa rede”, conclui.
Fonte: Agência Brasil