Ele afirmou que a comunidade libanesa recebeu a notícia com grande desânimo, evidenciando o sofrimento de inúmeros amigos e familiares que residem em áreas de conflito. A família de Manal chegou a abandonar sua casa em virtude dos ataques, mas decidiu retornar devido ao cessar-fogo em vigor.
Farhat descreveu os ataques israelenses como um verdadeiro massacre contra os libaneses. “Israel tem bombardeado a geografia do Líbano, sua memória, mesquitas, cemitérios e residências civis. Não existe nenhum lugar seguro no sul do Líbano ou na capital Beirute. A situação é semelhante ao genocídio que ocorreu na Faixa de Gaza”, enfatizou o jornalista à Agência Brasil.
Farhat compartilhou que a família de Ghassan e Manal era uma parte muito querida da comunidade libanesa em Foz do Iguaçu (PR). Na última comunicação antes de deixarem o Brasil, Ghassan mencionou o desejo de se estabelecer no Líbano.
“O objetivo dele era construir uma vida estável no Líbano, utilizando os recursos que conseguiu [trabalhando no comércio aqui no Brasil]. Ele almejava prestar mais atenção à sua vida e à de sua família, buscando algo que lhe permitisse dedicar mais tempo aos estudos e à vida social”, relembrou Farhat, que reside no país há 25 anos e faz parte da comunidade libanesa na cidade.
O jornalista mencionou que Ghassan tinha interesse em pesquisa e redação de artigos, sem se envolver em questões políticas ou militares. “Eles viveram aqui de 1998 até 2010, aproximadamente. Eu os conheci aqui; ele havia escrito um livro sobre a crise econômica global e eu o entrevistei, estabelecendo uma amizade”, contou.
“Ele era empresário e um ativista na comunidade libanesa, atuando em causas humanitárias e participando de eventos sociais. Era uma pessoa intelectual, culta, com amplo conhecimento nas áreas cultural e econômica. Ele era bastante respeitado na comunidade e era muito apreciado por todos”, afirmou.
Ofensivas israelenses no Líbano
O Líbano vem enfrentando ataques israelenses em meio a uma ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra diversas nações da região. Foi um desses ataques israelenses que resultou na morte da família em sua casa, localizada no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano. A informação foi confirmada pela noite de segunda-feira (27) pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
“Os bombardeios israelenses não fazem distinção entre civis e militares. Eles atacam cidades e lares sem qualquer aviso. As estatísticas do Ministério da Saúde do Líbano indicam que a maioria das vítimas são civis. O caso de Ghassan e sua família é de indivíduos civis que estavam em casa durante o ataque, assim como muitos outros”, comentou Farhat, que mora há 25 anos no Brasil e possui parentes no Líbano.
Melina Manasseh, que também faz parte da comunidade libanesa no Brasil e é integrante da Federação Árabe da Palestina no Brasil, acredita que a ocupação israelense atual no Líbano se assemelha ao que ocorre na Palestina. “Fiquei muito abatida ao saber que esta família com brasileiros foi ceifada, assim como tantas outras, devido à política bélica expansionista de Israel.”
“Não é a primeira vez que um brasileiro perde a vida nas mãos das forças de ocupação. Israel nunca cumpriu uma única resolução da ONU a respeito da Palestina e ocupou militarmente o sul do Líbano por 18 anos. A ocupação militar atual não é a mesma de antigamente. Esta nova ocupação é idêntica à que ocorre na Palestina, marcada por assentamentos ilegais”, afirmou.
Manasseh, que tem parentes residindo no norte do Líbano e em Beirute, observa que a morte dos dois brasileiros não resultou em uma mobilização significativa por aqui.
“Os libaneses, assim como os palestinos, mantêm um forte orgulho e otimismo. Eles sempre acreditam que tudo irá melhorar em breve. Infelizmente, a diáspora libanesa, que conta com cerca de 9 milhões de descendentes no Brasil, não se mobiliza de maneira efetiva”.
Fonte: Agência Brasil