A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo requereu a investigação sobre o falecimento de Thawanna Salmázio, ocorrido no dia 3, em decorrência de um tiro disparado pela policial militar Yasmin Ferreira, na região leste da cidade de São Paulo. A ouvidoria também solicitou uma apuração sobre a possível omissão de socorro pelos policiais envolvidos.
“Nós da Ouvidoria, além de requerer uma investigação completa em relação ao disparo e à morte que ocorreu, estamos enviando um ofício à Corregedoria da Polícia Militar para que esta inicie um processo disciplinar com o intuito de investigar se houve falha no socorro por parte dos policiais que, de alguma forma, estavam presentes no local,” afirmou o ouvidor da polícia, Mauro Caseri, durante uma entrevista à TV Brasil.
De acordo com relatos do parceiro da vítima, Luciano Gonçalves Santos, ele e Thawanna estavam andando na rua quando uma viatura policial fez contato com o braço dele usando o retrovisor. Após uma discussão, os policiais alegaram que precisaram usar força para conter o casal, resultando em Thawanna sendo baleada.
“A policial [responsável pelo tiro] afirma que foi agredida pela vítima. Contudo, o que ocorreu foi uma discussão mais intensa entre elas, a policial se afastou um pouco e disparou. Essa é a versão que as testemunhas relataram,” explicou Caseri.
“O parceiro dela tentou prestar socorro, mas foi impedido pelos policiais de fazê-lo. Isso constitui outro erro [além do disparo], pois um familiar pode ajudar. Jamais deveriam ter barrado essa pessoa de prestar auxílio à sua companheira,” completou.
A vítima foi socorrida pelo Samu, mas o atendimento levou mais de 30 minutos para chegar ao local. Em seguida, Thawanna foi transportada para o hospital em aproximadamente 3 minutos.
“Se o tempo para ela receber ajuda tivesse sido de 10, 15, 20 minutos, talvez ela tivesse conseguido sobreviver. Algo que foi tirado dela; além de um tiro fatal, ainda foram negadas aos seus familiares a oportunidade de socorrê-la,” expressou Caseri.
Em comunicado, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que todas as circunstâncias deste caso estão sendo investigadas “com prioridade” pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e através de um Inquérito Policial Militar (IPM), com supervisão das corregedorias das instituições pertinentes.
“Os dois policiais envolvidos foram afastados das funções operacionais. As gravações das câmeras corporais foram integradas aos inquéritos e estão sendo avaliadas pela autoridade policial, formando parte das evidências do caso. É importante ressaltar que todas as provas, incluindo, além das gravações, os laudos periciais e testemunhos, estão sendo examinados com seriedade. O Corpo de Bombeiros também investiga a rapidez do socorro prestado à vítima,” informou a secretaria.
Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo anunciou que irá investigar as circunstâncias em torno da morte de Thawanna.
Fonte: Agência Brasil
