A casa da família brasileira foi destruída em um bombardeio israelense no Líbano –
Foto: Manal Jaafar/Arquivo pessoal
Quebras do cessar-fogo
O alegado cessar-fogo estabelecido no Líbano tem sido desrespeitado por Israel. O Hezbollah, grupo político-militar xiita, anunciou que tomará providências em resposta às violações dessa frágil trégua. Além disso, o Irã está pressionando para que o cessar-fogo no Oriente Médio também inclua o Líbano.
Segundo informações da Casa Branca, Israel poderia realizar ofensivas contra o Hezbollah apenas “em defesa legítima, a qualquer momento, quando houver ataques previstos, iminentes ou em curso”.
Região Sul do Líbano
O governo israelense defende a ocupação de toda a área Sul do Líbano até o Rio Litani, que se encontra a cerca de 30 quilômetros da atual fronteira entre os dois países, afirmando que não permitirá que os civis retornem à região.
O deslocamento forçado de civis é classificado como outro ato de guerra. No último dia antes da trégua, Israel atacou a última ponte que restava sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando o Sul do Líbano do restante do país e dificultando a comunicação entre as cidades de Tiro e Sidon.
O especialista em geopolítica Anwar Assi declarou à Agência Brasil que as ações de Israel no Sul do Líbano configuram uma limpeza étnica para expelir os residentes da área e conquistar esses territórios.
“O principal objetivo da guerra é a remoção das pessoas do Sul do Líbano. Por isso, eles destruíram escolas, hospitais, prédios governamentais e todas as estruturas que poderiam proporcionar apoio ao retorno dos civis. Eles arrasaram precisamente para que aqueles que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhuma ajuda”, ressaltou Assi.
Por outro lado, Israel alega que busca estabelecer uma zona de segurança contra os ataques do Hezbollah.
Compreenda
A nova fase do conflito entre Israel e Líbano começou em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques contra o Norte de Israel em solidariedade à população palestina, devido aos massacres na Faixa de Gaza.
Em novembro de 2024, chegou-se a um acordo de cessar-fogo entre o grupo político militar xiita e Tel Aviv. No entanto, o acordo nunca foi cumprido por Israel, que continuou a realizar bombardeios no Líbano.
Com o início da agressão contra o Irã, o Hezbollah retomou os ataques a Israel em 2 de março, como resposta às sistemáticas quebras do cessar-fogo nos meses anteriores e também em retaliação ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.
No dia 8 de abril, foi anunciado o cessar-fogo da guerra contra o Irã, mas Israel prosseguiu com os ataques no Líbano, desrespeitando novamente o acordo, que agora tinha sido mediado pelo Paquistão.
Contexto histórico
O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi formada em resposta à invasão e ocupação de Israel no Líbano, com o objetivo de reprimir os grupos palestinos que buscavam abrigo no país vizinho.
Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do território libanês. Ao longo dos anos, o grupo se transformou em um partido político com representação no Parlamento e participação em governos.
O Líbano foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.
Fonte: Agência Brasil