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Família brasileira é morta em Israel ao buscar pertences no Líbano

Gabriel Aires
Atualizado em: 28 de abril de 2026 9:09 pm
Gabriel Aires
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A família com ascendência brasileira e libanesa, que foi vítima de um ataque aéreo israelense no Sul do Líbano, estava à procura de roupas e objetos pessoais na residência em que habitava, em Burj Qalowayh, localizada no distrito de Bint Jbeil, no momento em que a casa foi atingida por bombardeios. Até agora, os corpos não foram localizados entre os destroços da construção, que foi devastada.

Sumário
Família resida no ParanáQuebras do cessar-fogoRegião Sul do LíbanoCompreendaContexto histórico

No ataque, faleceram a brasileira Manal Jaafar, de 47 anos; seu filho Ali Ghassan Nader, de 11 anos; e o pai do menino, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Eles deixaram a casa apressadamente no início da atual fase do conflito, em 2 de março, buscando abrigo em Beirute, a capital do Líbano.

Com a trégua anunciada em 16 de abril, a família optou por retornar a Bint Jbel para recolher mais roupas e outros itens pessoais antes de retornar a Beirute. Eles haviam chegado ao Sul do Líbano no último sábado (25).

O irmão mais novo de Ghassan, o libanês-brasileiro Bilal Nader, de 43 anos, residente em Foz do Iguaçu (PR), mencionou que planejara voltar no mesmo dia, mas acabou ficando na casa e decidiu retornar no domingo (26), quando ocorreu o ataque.


28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - Menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos.. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - Menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos.. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
O menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, residia com os pais em Bint Jbel, no Sul do Líbano – Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal

“Quando foi anunciado o cessar-fogo, muitos começaram a retornar para suas casas de manhã cedo. Ele apenas esperou cerca de sete ou oito dias. Ele comentou que voltaria apenas para pegar algumas coisas e retornar, apenas para pegar mais roupas. Ele até tinha deixado o carro ligado, com o porta-malas já pronto”, disse Bilal Nader.

A explosão também feriu outro filho do casal, Kassam Nader, de 21 anos, que estuda computação no Líbano. Ele recebeu alta do hospital nesta terça-feira (28). O casal ainda tem outros dois filhos mais velhos, com 28 e 26 anos, que residem e trabalham no exterior.

Bilal Nader destacou que seu irmão não possuía nenhum vínculo com partidos políticos, levando uma vida dedicada à agricultura de oliveiras no Sul do Líbano, e que ele esperava que o conflito chegasse ao fim.

“Meu irmão é uma pessoa de bem, não tem conexão com nada, não apoia partido algum, era uma pessoa discreta e tranquila. Inclusive, ele tinha muitos amigos aqui em Foz [do Iguaçu], no Brasil inteiro. Ele tinha conhecidos no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, São Paulo. Ele era bem reconhecido aqui”, relatou.

Bilal Nader também mencionou que a área em que seu irmão residia não costumava ser cenário dos confrontos recentes.

“As cidades mais à frente é onde ocorreram os bombardeios, onde houve roubo das casas. Ao redor da casa dele não havia nada, apenas construções civis, com uma população civil comum”, esclareceu.

A Agência Brasil contatou a Embaixada de Israel no Brasil buscando saber a posição do governo de Tel Aviv sobre o ataque à residência da família brasileira no Líbano, mas não obteve resposta até o encerramento desta matéria.

O Líbano abriga a maior comunidade de brasileiros no Oriente Médio. No total, 22 mil brasileiros residiam no país em 2023, conforme informações fornecidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). O Brasil censurou os bombardeios que ocorreram durante o período de cessar-fogo.

Família resida no Paraná

A família brasileira-libanesa viveu no Brasil por mais de 15 anos, entre 1995 e 2008, onde Manal Jaafar deu à luz e obteve a cidadania brasileira. O esposo Ghassan não tirou a nacionalidade “por falta de tempo”, pois estava sempre ocupado com o trabalho. Ele atuava como comerciante no setor de eletrônicos.

O jornalista libanês naturalizado brasileiro Ali Farhat era amigo de Ghassan e afirma que ele era uma pessoa bastante educada. Com formação em economia, escreveu um livro em árabe sobre a economia global.

“Ele era muito ativo na comunidade libanesa aqui no Brasil. Atuava como empresário e também como intelectual. Estava se dedicando a alguns estudos e pesquisas até que decidiu viajar para o Líbano para viver com sua família lá”, declarou Farhat à Agência Brasil.


28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - Casa destruída da brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
28/04/2026 - FAMÍLIA BRASILEIRA MORTA NO LÍBANO - Casa destruída da brasileira Manal Jaafar, de 47 anos, mãe do menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e o pai da família, o libanês Ghassan Nader, de 57 anos. Foto: Manal Jaafar/Arquivo Pessoal
A casa da família brasileira foi destruída em um bombardeio israelense no Líbano – Foto: Manal Jaafar/Arquivo pessoal

Quebras do cessar-fogo

O alegado cessar-fogo estabelecido no Líbano tem sido desrespeitado por Israel. O Hezbollah, grupo político-militar xiita, anunciou que tomará providências em resposta às violações dessa frágil trégua. Além disso, o Irã está pressionando para que o cessar-fogo no Oriente Médio também inclua o Líbano.

Segundo informações da Casa Branca, Israel poderia realizar ofensivas contra o Hezbollah apenas “em defesa legítima, a qualquer momento, quando houver ataques previstos, iminentes ou em curso”.

Região Sul do Líbano

O governo israelense defende a ocupação de toda a área Sul do Líbano até o Rio Litani, que se encontra a cerca de 30 quilômetros da atual fronteira entre os dois países, afirmando que não permitirá que os civis retornem à região.

O deslocamento forçado de civis é classificado como outro ato de guerra. No último dia antes da trégua, Israel atacou a última ponte que restava sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando o Sul do Líbano do restante do país e dificultando a comunicação entre as cidades de Tiro e Sidon.

O especialista em geopolítica Anwar Assi declarou à Agência Brasil que as ações de Israel no Sul do Líbano configuram uma limpeza étnica para expelir os residentes da área e conquistar esses territórios.

“O principal objetivo da guerra é a remoção das pessoas do Sul do Líbano. Por isso, eles destruíram escolas, hospitais, prédios governamentais e todas as estruturas que poderiam proporcionar apoio ao retorno dos civis. Eles arrasaram precisamente para que aqueles que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhuma ajuda”, ressaltou Assi.

Por outro lado, Israel alega que busca estabelecer uma zona de segurança contra os ataques do Hezbollah.

Compreenda

A nova fase do conflito entre Israel e Líbano começou em outubro de 2023, quando o Hezbollah lançou ataques contra o Norte de Israel em solidariedade à população palestina, devido aos massacres na Faixa de Gaza.

Em novembro de 2024, chegou-se a um acordo de cessar-fogo entre o grupo político militar xiita e Tel Aviv. No entanto, o acordo nunca foi cumprido por Israel, que continuou a realizar bombardeios no Líbano.

Com o início da agressão contra o Irã, o Hezbollah retomou os ataques a Israel em 2 de março, como resposta às sistemáticas quebras do cessar-fogo nos meses anteriores e também em retaliação ao assassinato do líder Supremo do Irã, Ali Khamenei.

No dia 8 de abril, foi anunciado o cessar-fogo da guerra contra o Irã, mas Israel prosseguiu com os ataques no Líbano, desrespeitando novamente o acordo, que agora tinha sido mediado pelo Paquistão.

Contexto histórico

O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi formada em resposta à invasão e ocupação de Israel no Líbano, com o objetivo de reprimir os grupos palestinos que buscavam abrigo no país vizinho.

Em 2000, o Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do território libanês. Ao longo dos anos, o grupo se transformou em um partido político com representação no Parlamento e participação em governos.

O Líbano foi alvo de ataques israelenses em 2006, 2009 e 2011.

Fonte: Agência Brasil

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TAGS:Conflito no Oriente MédioHezbollahIsraelLíbano
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