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MSF acusa Israel de usar acesso à água como arma contra palestinos

Gabriel Aires
Atualizado em: 28 de abril de 2026 12:11 pm
Gabriel Aires
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Um comunicado divulgado nesta terça-feira (28) pela organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de utilizar o controle de acesso à água como uma ferramenta de ataque à população de Gaza, negando-lhes esse recurso fundamental no contexto de uma “campanha de punição coletiva”.

Segundo a MSF, “a destruição de infraestruturas e os impedimentos ao abastecimento mostram que a privação intencional de água imposta aos palestinos é parte essencial do genocídio realizado por Israel”, como declarado em uma nota acompanhando o relatório A Água como Arma: a Destruição e a Privação de Água e Saneamento por parte de Israel em Gaza.

Israel refuta com firmeza as alegações de genocídio em Gaza, que se intensificaram ao longo do conflito.

O documento, que utiliza informações da MSF e relatos coletados pela equipe da organização entre 2024 e 2025, sustenta que “a repetida manipulação da água” pelas autoridades israelenses insere-se “em um padrão contínuo, sistemático e cumulativo”.

“Isso se adiciona aos assassinatos diretos de civis, à destruição de instalações de saúde e à destruição de moradias, resultando em deslocamentos massivos da população. Juntos, esses fatores indicam uma intenção de impor condições de vida devastadoras e desumanizadoras aos palestinos em Gaza”, alertou a ONG.

“As autoridades israelenses compreendem que a vida não é possível sem água. Entretanto, destruíram de maneira sistemática e intencional as infraestruturas de abastecimento em Gaza, ao mesmo tempo em que bloqueiam constantemente a entrada de equipamentos relacionados à água”, disse Claire San Filippo, coordenadora de emergências da MSF, conforme citado na nota.

Mesmo com um cessar-fogo que começou a valer em outubro passado – dois anos após o começo do conflito desencadeado pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 – a região da Faixa de Gaza continua a ser um cenário de conflitos, com Israel e o grupo islâmico palestino se acusando mutuamente de infringir a trégua.

Conforme dados da ONU, da União Europeia e do Banco Mundial, Israel causou a destruição ou danificou cerca de 90% das infraestruturas de água e saneamento em Gaza, incluindo estações de dessalinização, poços, tubos e redes de esgoto.

A equipe da MSF registrou disparos por parte das forças armadas israelenses contra caminhões-cisterna “claramente identificados”, bem como a destruição de poços “que eram uma fonte vital para dezenas de milhares de pessoas”.

“Palestinos foram feridos e mortos ao tentarem simplesmente acessar água”, informou San Filippo.

“A [falta de água] é tão severa que torna impossível fornecer quantidades adequadas à população”, afirmam ainda a MSF, que se posiciona como o principal fornecedor e distribuidor de água potável em Gaza, depois das autoridades locais.

Em março de 2026, a MSF conseguiu fornecer mais de 5,3 milhões de litros de água por dia, o que atende às necessidades básicas de mais de 407 mil pessoas, ou seja, cerca de um em cada cinco habitantes.

“No entanto, as ordens de deslocamento impostas pelo exército israelense impediram que as equipes da MSF alcançassem as áreas que atendiam com água a centenas de milhares de pessoas”, protestou a ONG, denunciando também as barreiras à entrada de suprimentos essenciais relacionados à água e saneamento em Gaza desde outubro de 2023.

Um terço dos pedidos feitos pela ONG para a introdução de unidades de dessalinização, bombas, cloro e outros produtos para tratamento de água, reservatórios, repelentes de insetos ou banheiros “foram negados ou permaneceram sem resposta”.

“[As repercussões] são significativas para a saúde, a higiene e a dignidade das populações, especialmente para mulheres e indivíduos com deficiência”, alertou a MSF.

“Devido à ausência de banheiros, as comunidades são forçadas a cavar buracos na areia, que transbordam e contaminam o solo e os lençóis freáticos”, continuou.

A carência de acesso à água e à higiene, combinada com condições de vida precárias – abrigos superlotados, instalações improvisadas – contribui para a proliferação de doenças, como infecções respiratórias, enfermidades de pele e problemas diarreicos.

A MSF fez um apelo às autoridades israelenses para que restabeleçam de imediato o acesso à água “em quantidades adequadas” para a população de Gaza e instou os aliados de Israel a “pressionarem para que os entraves à ajuda humanitária sejam removidos”.

Fonte: Agência Brasil

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TAGS:acesso à águaÁguaConflito no Oriente MédioFaixa de GazaIsraelMédicos sem FronteirasPalestina
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