Dois indivíduos foram detidos e uma fábrica clandestina que produzia linha chilena em Jacarepaguá, na região sudoeste do Rio de Janeiro, foi encerrada por autoridades da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil. A linha chilena é proibida segundo uma legislação estadual de novembro de 2017, pois causa ferimentos graves e até a morte de muitos motociclistas. Em geral, a linha atinge os motociclistas na região do pescoço, podendo resultar em fatalidades.
O conteúdo da legislação proíbe a venda, uso, posse e porte da substância composta de vidro triturado e adesivo, conhecida como cerol, que é utilizada para que uma pipa corte a outra, um passatempo tradicional. “A norma proíbe igualmente a linha encerada, elaborada com quartzo triturado, algodão e óxido de alumínio, chamada de linha chilena, além de qualquer produto usado na prática de soltar pipa que contenha elementos afiados”.
A operação realizada nesta quinta-feira (7) foi fundamentada na interseção de informações e no compartilhamento de dados de inteligência. A Polícia Civil identificou uma fábrica ilegal bem equipada de linha chilena, que fornecia para diversos estados do Brasil. Os policiais encontraram uma quantidade significativa de materiais ilícitos, incluindo linha chilena e ferramentas usadas na fabricação.
A Polícia Civil enfatiza o alto risco associado à linha chilena, que é elaborada com materiais cortantes e extremamente duráveis, capazes de provocar ferimentos graves, desmembramentos e até óbitos. Ademais, o uso desse material coloca em risco a rede elétrica e animais, aumentando os danos ocasionados por essa prática.
Números
Os relatos sobre o uso e venda de linha chilena e cerol no Rio de Janeiro aumentaram de forma alarmante, com 1.203 ocorrências registradas em 2025, mais que o dobro dos 561 casos registrados em 2024. Nos três primeiros meses de 2026, já são 110 denúncias contabilizadas. Os motociclistas se tornaram as principais vítimas, com casos fatais. No mês de abril deste ano, o motociclista Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, faleceu após ter o pescoço cortado por linha chilena em Cascadura, um bairro na zona norte do Rio.
Fonte: Agência Brasil
